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quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Homenagem do Sindicato dos Escritores do Df à Vânia Moreira Diniz


SINDICATO DOS ESCRITORES DO DISTRITO FEDERAL
Prezada Escritora Vânia Moreira Diniz

O Sindicato dos Escritores do Distrito Federal reconhece a sua atuação na cultura de nossa cidade, efetiva e fundamental para estimular a leitura e a formação do senso crítico nas pessoas.

Em vários segmentos da cultural local, poderemos observar os reflexos do seu incansável trabalho, seja na competência para desenvolver bibliotecas públicas, seja na coragem para defender seus projetos diante dos opositores.

Respeitamos seu talento como escritor e temos como exemplo, a honestidade de suas ações. Com o abraço e amizade de

Elias Daher
Presidente

Brasília, DF, 23 de agosto de 2011

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Atualização do Portal Vânia Diniz

PORTAL VÂNIA DINIZ
Criado , dirigido e editado por Vânia Moreira Diniz

Recomeçaremos nossos boletins para que os leitores e escritores possam acompanhar com mais facilidade  as atualizações ou novidades do Portal Vânia Diniz.

E também estará aqui os links dos blogs pertencente ao nossos grupos de divulgação e notícias  culturais

Página de Filosofia –Coordenada pela Escritora e Poeta Virgínia Fulber
http://www.vaniadiniz.pro.br/espaco_ecos/filosofia_virginia/filosofia.htm

Opinião- Artigo da Revista gestão Pública-
http://www.vaniadiniz.pro.br/diario_vaniamdiniz/guerra_urbana.htm

Coluna dos Autores convidados:
http://www.vaniadiniz.pro.br/COLUNAS.HTM

Coluna de Vânia Moreira Diniz
http://www.vaniadiniz.pro.br/textosin.htm


Rebra- (Rede de Escritoras Brasileiras)


Blog Ressurgindo



Blog da Academia de Letras do Brasil-DF


Blog Letras e Raízes de Cristina Arraes
http://letraseraizes.blogspot.com/

Página da UBE- União brasileira de Escritores


Muitas outras novidades dentro do Portal e Espaço Ecos


Agradeço a todos os escritores , leitores e amigos a dedicação desses 12 anos de trabalho e atenção com o Portal Vânia Diniz

Muito carinho

Vânia Moreira Diniz
22-07-2011
http://www.vaniadiniz.pro.br

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Lançamento de Novo Blog de Vânia Moreira Diniz



Amigos e Leitores
Como muitos de vocês tem conhecimento escrevo desde os sete anos e essa foi uma atividade que exerci com muito amor e que tem sido absolutamente necessária em minha vida.
Em 1998, quando entrei na internet pela primeira vez para exercer também minha atividade dediquei meu portal, a página do Espaço Ecos e meus blogs não só aos meus escritos, mas também aos escritores e Poetas, tanto os que esperavam uma oportunidade como também àqueles que já eram lidos e conhecidos no meio literário.
Divulgar para mim é uma necessidade porque jamais seria feliz se não desse apoio aos meus pares.
Hoje, no entanto depois de tantos anos de dedicação à literatura senti grande necessidade de construir um blog somente meu, dedicado à minha vida para que eu escrevesse sobre todas a s coisas que vierem à minha cabeça e quando me der vontade.
Estou num momento de minha estrada que me sinto ressurgir e que meus valores encontram-se mais arraigados e embora com a mesma força, porém de forma diferente de minha juventude.
Estou feliz nesse instante e procurando ressurgir inteira e ainda com muitos objetivos para realizar.
O Blog foi desenvolvido por minha irmã Cristina Arraes, porque seria difícil para mim, falar de minha vida e ao mesmo tempo criar o designer como o fiz no meu Portal e ninguém melhor para isso do que ela porque além de uma excelente designer principalmente de blogs, me conhece profundamente por dentro e por fora e sabe tudo que eu gostaria de ter nesse espaço especial.
Tanto as configurações preferidas, como as fotos escolhidas e as características foram criadas e colocadas por ela. Só estou pronta para escrever. Obrigada, mana. Era exatamente isso que precisava nesse momento de ressurgimento.
Agradeço a todos que quiseram me visitar, conhecer profundamente minha vida, alegrias e tristezas, sucessos e fracassos, vitórias e derrotas.
Desculpem se vierem a ler algum texto que já conhecem, mas fiquem certos que se isso acontecer é porque era importante para esse blog.
Lançamos hoje “meu blog” com o carinho que sempre mantive em todos os acontecimentos de minha vida e aqui deixo seu endereço:
http://ressurgindo.blogspot.com/
Meu abraço muito amigo

Vânia Moreira Diniz

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Recordações

Vânia Moreira Diniz


Hoje recordando nitidamente a voz de minha mãe e toda uma vida desfilou frente aos meus olhos que extasiados observavam através da imaginação. Costumo fazer isso muitas vezes em momentos de alheamento, introspecção e privacidade. Mas dessa vez foi algo mais nítido como se tudo estivesse se passando naquele momento.
Revia-a jovem, os cabelos muito escuros e brilhantes, os olhos negros e grandes, a pele aveludada com a maciez de alguém que não abusa da maquilagem, a bela figura jovem que algumas vezes me esperava na porta de minha casa antes que eu descesse do ônibus escolar.

Não lembro exatamente de minha mãe cuidando dos pequenos detalhes de uma casa ou dos filhos no dia a dia. Tinha empregadas que por sinal naquela época ainda eram relativamente fáceis. Eu a amava, contudo não conseguia falar de mim mesma ou do que se passava comigo em nenhum momento. Sempre foi cerimoniosa e formal em demasia.

Lembro-me dela sentada na sala, elegante e perfumada, os lábios cujo batom dava à sua pele uma cor especial e bonita, e realçava a cútis muito clara. Em nenhum momento a via ter um gesto mais descontraído como hoje estamos cansadas de abusar.

Revendo-a corri no tempo até minha infância no bairro de Copacabana no Rio de Janeiro numa rua de tanto movimento que os adultos se assustavam cada vez que chegávamos até o portão da casa. Mas foi ali na Rua Barata Ribeiro com os carros alucinadamente correndo, muita gente passando apressada, as crianças impedidas de brincar em suas bicicletas ou patinetes, as casas ainda sem tantas grades e as lojas num movimento crescente de clientes que eu vivi minha infância e adolescência.

Era ali que eu construía meus castelos de sonhos de papel que a vida nem sempre transformaria em algo sólido como pedra e muitas vezes rasgaria sem piedade. Era ali que eu aprendia a reconhecer as pessoas, a vê-las em momentos variados de alegria esfuziante, entusiasmo crescente, placidez monótona ou tristeza arrebatadora.

Era ali que eu recebia minhas amigas mais queridas, que brincava ou observava, mas sempre com alguém a me recomendar prudência e que via o mundo com olhos encantados. Era ali que no interior daquela casa num imenso terreno eu fazia minhas evoluções nos patins cujo rodopio me dava a sensação vertiginosa de vida e efervescência e cujo fascínio me arrebatava.

E foi ali que eu cresci entre o movimento que aumentava cada vez mais e o progresso ainda maior que chegava antes de qualquer coisa para se instalar a um tempo magnífico e perigoso. Para mim aquele lugar era o paraíso que eu observava com olhos deslumbrados e ansiosos procurando sempre ver mais e mais profundamente.

Era ali, bem perto do mar que exercia sobre mim uma estranha magia e também conforto apesar de sua imensidão. Era na praia olhando as ondas que subiam que muitas vezes eu encontrava uma tranqüilidade estranha e podia pensar, devanear ou me acalmar.

Sentindo nos pés a água muita gelada eu entendia que a força daquele infinito era o rei do universo. E o respeitava, mas também o idolatrava.

E o sol que esparzia seus raios sem nenhuma cerimônia e cujo calor me trazia uma sensação agradável quase sensual na tepidez com que se encostava a minha pele, me dava uma energia incomparável.

Foram essas recordações que a lembrança  do som da voz de minha mãe me transportou de uma maneira completamente arrebatadora fazendo com que eu me sentisse outra vez aquela garota cujo movimento e beleza desse bairro carioca em que fui criada me dominasse a ponto de me ver sentada tão perto do mar que quase sentia minha pele molhada e áspera pela areia grudada em todo meu corpo.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Personalidade de Brasília



Vânia Moreira Diniz
Meus queridos amigos,
Em primeiro lugar meus agradecimentos especiais a Academia de Letras e Música do Brasil representada por seu ilustre Presidente, e à Produtora Nazareth Tunholi que realizaram com tanto brilho a Solenidade de autorga do troféu "Personalidade de Brasília".
Desejo agradecer a presença de todos que carinhosamente compareceram a esse evento de entrega do Troféu"Personalidade de Brasília", ano 2011 e também aqueles que não puderam ir, mas cujas mensagens e telefonemas aconchegaram meu coração.
A vida é realmente muito finita, mas esses momentos constituem um acontecimento especial que recordaremos sempre não por vaidade, porém porque é uma demonstração de amor em todas as categorais, o maior sentimento existente neste planeta.
Não somos nada diante da imensidão do universo e só a união entre os seres humanos é capaz de sublimar as tristezas que inundam esse momento de tantos desafios que estamos compartilhando no mundo inteiro.
Muito obrigada e minha ternura imensa naquele momento de confraternização tão importante cercada de minha família e meus amigos queridos.
Obrigada!!!
Oportunamente colocarei no ar uma sinopse do lindo evento ilustrada com fotos
Um grande abraço e minha gratidão. Jamais esquecerei a presença não só pessoalmente como também em palavras expressas em emails, telegramas e telefonemas que foram direto ao meu coração.
Vânia Moreira Diniz

19-04-2011

terça-feira, 22 de março de 2011

Coluna de Vânia Diniz no Portal Blocos online do Site Leila Míccolis

 Vânia Moreira Diniz
Fonte da Imgem: Leila Míccolis
O Centésimo texto
Hoje completo o centésimo texto nesta coluna e só tenho que com muita emoção agradecer à extraordinária Leila Miccolis escritora de livros, cinema, teatro, TV e Mestra em Ciência da Literatura/Teoria Literária (UFRJ).
Durante quatro anos eu me envolvi completamente nos trabalhos em que colaborei em Blocos Online e agora no Site Leila Miccolis não só pela competência de seus editores como pelo carinho imenso que desde o início de minha trajetória na Internet que completará 12 anos em Outubro, recebi deles.
Na verdade Leila e Urha foram os primeiros a me abrir as portas nessa trajetória cibernética, importantíssima em minha vida literária e na divulgação de minha obra.
Durante mais de quatro anos essa coluna me deu o contato com os variados e fiéis leitores que costumam frequentar esse Portal e mergulhei no trabalho quinzenal que tanto me empolga.
Costumo dizer que escrever para mim é como respirar, preciso desse oxigênio para restaurar minha alma viciada nos símbolos de linguagem que me deixaram sempre atônita desde muito pequena. E escrever aqui é contar com um emocionante reconhecimento não só pelas mensagens que recebo de escritores e leitores como também com o carinho imenso na publicação da editora desta página.
Desejo agradecer a todos que utilizam um pouco de seu precioso tempo na leitura desta coluna que tanto amo e podem crer que essa constatação me dá forças para continuar cada vez com mais entusiasmo.
Isso porque tenho convicção que a literatura é arte mais eficaz para transmitirmos nossos ideais e lutar contra um mundo violento e tristemente desesperançado nos dias atuais, malgrado as dificuldades dos autores para a publicação de seus trabalhos.
Peço desculpas se alguma vez me encontraram em momentos de tristeza ou dor, mas acredito que a nosso diálogo foi muito mais de correspondência no que pensamos juntos para alcançar momentos de felicidade e trocarmos nossas efusões, sentimentos, um diálogo simbólico, mas eloquente e que me dá um imenso prazer. Só espero sinceramente que possa melhorar e me desenvolver permanentemente para que esteja à altura da expectativa dos editores, amigos de fé e de vocês que me lêem.
Obrigada pela aceitação desses cem textos que me permitiram chegar até vocês e continuarei a agradecer sempre pela permanência nessa coluna que me faz sentir o calor humano que pressinto a cada página.
Vânia Moreira Diniz
Colunas anteriores:

01, 02, 03, 04, 05, 06, 07, 08, 09, 10, 11, 12, 13, 14, 15, 16, 17, 18, 19, 20, 21, 22, 23, 24, 25, 26, 27, 28, 29, 30, 31, 32, 33, 34, 35, 36, 37, 38, 39, 40, 41, 42, 43, 44, 45, 46, 47, 48, 49, 50, 51, 52, 53, 54, 55, 56, 57, 58, 59, 60, 61, 62, 63, 64, 65, 66, 67, 68, 69, 70, 71, 72, 73, 74, 75, 76, 77, 78, 79, 80, 81, 82, 83, 84, 85, 86, 87, 88, 89, 90, 91, 92, 93, 94, 95, 96, 97, 98, 99

domingo, 20 de março de 2011

Dia Mundial da Poesia- 21 de Março

Por Vânia Moreira Diniz


Dia 21 de março é a data promulgada pela UNESCO para a celebração do Dia Mundial da Poesia.

A Poesia é a forma lírica de transmitir mensagens que saem da alma com força de expressão e admiram a natureza, os sentimentos, o ser humano em geral e comunicam com vigor e graça seu canto, conceitos, sonhos, ideais e qualquer tema inspirado.

Poesia é também o entendimento no olhar, na doçura das palavras pronunciadas com suavidade e a certeza que merecemos a luz do horizonte, independente da cor, do formato do rosto, do lugar em que se nasceu, das características sexuais e cujo preconceito certamente seria repudiado pela sociedade.
Emocionalmente falando as mãos seriam dadas até nas tristezas e teríamos mais respeito por todas as diferenças existentes.

A diferença é a forma mais bonita de nos aperfeiçoarmos com as experiências mútuas e a poesia está apta para cantar esse sentimento de ternura que resplandece no amor universal. Há melhor e mais profunda forma de entendermos a alma de outra pessoa que necessita das mesmas alegrias intrínsecas como cada um de nós?

Se existisse mais poesia nas relações humanas, tudo seria mais fácil e as marcas do amor e da solidariedade estariam presentes , assim como o egoísmo se manifestaria com menos ênfase dando passagem à preocupação pelo outro cujo caminho ameno, mesmo nos momentos difíceis nos levaria à paz, na verdade, a única passagem para a felicidade.

Poesia é amor, canto e encanto, luz que não amortece os olhos, união estreita com nossos irmãos de caminhada, certeza que o sorriso seria tanto mais bonito e enternecedor quanto mais fosse dado com a alma, entrega de sentimentos, necessários à felicidade de cada um de nós. Fortuna que só se encontra no espírito e que satisfaz nosso ser interior

Poesia é beleza, não apenas enfeitando a superficialidade, mas vibrando nos acordes da emoção para que seja sentido numa extensão tão sublime que não seria possível escassear nem com a passagem do tempo e nem mesmo com a duração finita de nosso tempo.

Poesia é o que vamos legar aos nossos descendentes, mesmo que eles não sejam poetas, é a esperança que disseminamos durante a existência e cuja semente plantamos para que seja regada com amor e afinal, um dia, possa nascer os frutos para uma humanidade menos sofredora, menos perversa e onde os valores maiores não sejam tão materiais e individualistas.

Isto é a verdadeira poesia. Tentaremos transportá-la mesmo nesse instante difícil da história da humanidade, porém ela saberá florescer cada vez mais lírica e verdadeira para que o universo se transforme num oásis de paz, mesmo que tenhamos que lutar com dificuldade para encontrar o verdadeiro amor universal.

Poesia é entrega, dedicação, altruísmo nos versos rimados ou não, mas que encontram a compreensão do momento em que nascemos, aspirando o oxigênio que nos fez chorar para que a abrangência de nossos atos sejam capazes de deixar um motivo para entendermos o porquê de nossa presença neste mundo.

Poesia que o mundo todo comemora nesse dia 21 de março é vida, comemoração, entrega útil, verdadeira e crescente e que podemos repetindo mil vezes a palavra amor em todos os sentidos chegar ao cerne da expressão lírica que o entusiasmo criador expressa, transforma e entende.
Vânia Moreira Diniz
04-03-2011

terça-feira, 8 de março de 2011

Dia Internacional da mulher


Vânia Moreira Diniz

Apesar de querer batalhar cada vez mais pelos direitos que nossa classe sonha de forma profunda e verdadeira, acho que acima de tudo isso, como digo sempre, está o fascínio da mulher.

Quando nasci, fui recebida segundo eu soube com o carinho que se deve a uma mulher. Meu pai sonhava em ter uma filha do sexo feminino e torcia para que para a satisfação desse desejo. Isso foi o que me lembrei ao acordar hoje, recordando palavras do meu próprio pai, há muitos anos atrás. E fui crescendo com aquele senso, que a mulher era algo especial. Na minha família o era, mas aos poucos percebi o quanto a minha categoria poderia ser desrespeitada, quando via, lá fora, acontecimentos e fatos que me perturbavam.

Fui crescendo ao sabor dos contrastes. Na minha casa, embora tivesse conflitos com meu pai, ele jamais foi capaz de levantar a mão para mim, embora o fizesse com meus inúmeros irmãos.E vi muitas vezes meu avô falar, que o mundo só ganharia em progresso e estabilidade, quando uma mulher liderasse o universo.

Minha cabeça dava voltas ao perceber, quanto as mulheres ainda, apesar das evoluções e lutas que se processavam, sofriam com uma subserviência, velada, mas verdadeira, e que existia até nas atitudes menos objetivas, num mundo que parecia não querer acatar esse desenvolvimento. Nem mesmo as leis favoreciam a nossa classe, tão atrasada estavam e a sociedade, de certa forma, aprovava esse caminho.À medida, entretanto que eu crescia começava a sentir um movimento mais e mais vigoroso nesse progresso consciente, que a mulher empreendia. Éramos na verdade uma das categorias excluídas pela falta de verdadeiro horizonte, pelas limitações que eram impostas e preconceitos que machucavam.

Experimentava esse sentimento quando olhava o mundo exterior, que eu queria abraçar cedo e com veemência.E meus pais, embora evoluídos por uma educação que não conferia á mulher certos liames, mesmo assim queriam segurar aquele halo de liberdade intensa que eu almejava.

Não queria só compreensão, respeito, admiração, cultura e participação dentro do meu meio compreensivamente positivo. Almejava ir ao encontro de meus ideais, sonhos, talvez utópicos, mas que existiam em mim.Fortes e incontroláveis!

Com o passar do tempo fui encontrando razões para crer na supremacia ou pelo menos na igualdade que íamos adquirindo paulatinamente. Ainda garota, pude perceber, que era justamente o lado econômico e a luta pela sobrevivência que ensejariam reais oportunidades à mulher. Desde que nós soubéssemos recebê-las! Desde que com essa liberdade adquirida, conseguíssemos administrá-la e saber o que fazer dela.

Hoje tenho convicção, que é mais uma questão de tempo. A nossa classe já tomou conta de todo um mundo, e lidera em várias posições, que jamais os homens pensariam ceder-lhe. È claro que ainda existe preconceito, dúvidas, discriminações, inseguranças, maltratos, brutalidades e principalmente a fragilidade da mulher menos favorecida pela fortuna e pelos conhecimentos, e que ainda não está preparada para isso.

No dia Internacional da mulher, 08 de março, quero poder sentir cada vez mais que transformamos em realidade, os motivos pelos quais empreendemos batalhas, cujo estandarte era sempre conseguir tornar-nos fortes o suficiente. Lutando por um país justo e menos sofredor, e por uma população que consiga também usufruir esses momentos de vitória.

Sinto à minha volta, os fluidos de positividade e vigor que me acompanharam na infância, e nessa oportunidade, comemoro os dias que sobrevieram sempre com uma luz a indicar o caminho certo.

Apesar de querer batalhar cada vez mais pelos direitos que nossa classe sonha, de forma profunda e verdadeira, acho que acima de tudo isso, como digo sempre, está o fascínio da mulher. Um fascínio que ela não pode deixar morrer.Esse fascínio que faz parte de nossa individualidade, da alma e corpo em perfeita harmonia.

A maior e mais deslumbrante qualidade que deveria rondar qualquer mulher.Sem isso, não adiantará vitórias e conquistas porque estaremos abortando a mais vicejante potencialidade que possuímos. Só conservando-a teremos a força e a esperança nos combates empreendedores, que tornarão essa data mais esfuziante em sua justa comemoração.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Reportagem no Correio Braziliense Por Leilane Menezes

Vânia Diniz (D) com o marido, Paulo Diniz, também escritor, lamenta: "Muita gente chega a uma farmácia precisando de apoio emocional"
COMÉRCIO

Drogaria que mantinha livros para a clientela usar, sem custo, é obrigada a retirar o material. Medida é questionada por escritora que trabalha com incentivo à leitura

SEM LIVROS NA PRATELEIRA

Por Leilane Menezes

Era pouco antes do meio-dia, na terça-feira da semana passada, quando uma fiscal da Vigilância Sanitária do Distrito Federal entrou em uma das farmácias da 302 Sul. Entre duas prateleiras de remédios, ela avistou quatro estantes cheias de livros. Depois de investigar o motivo de os exemplares estarem ali, a mulher descobriu que se tratava de uma biblioteca comunitária.
A fiscal, então, preencheu uma notificação, destinada ao dono da drogaria, estabelecendo o prazo de cinco dias para a retirada dos livros daquele ambiente. Explicou que a presença das publicações vai contra a lei federal que regulamenta a atividade das drogarias. E não abriu possibilidade de negociação (veja Nota da Vigilância Sanitária). A notícia surpreendeu a idealizadora do projeto de incentivo à leitura, a escritora Vânia Diniz, moradora da Asa Sul. O pequeno espaço literário tinha mais de 100 unidades expostas.
Machado de Assis, José de Alencar, Rachel de Queiroz e muitos outros escritores tiveram suas obras incluídas na coleção. Não só a literatura tinha vez: apostilas de concursos públicos também podiam ser vistas ali. Toda essa riqueza era oferecida aos clientes da farmácia, sem nenhum custo. Quem quisesse levar os livros para casa, tinha autorização. Várias pessoas também doavam novos títulos, como forma de incentivar a corrente de leitura. Com receio de ser multado, o dono do comércio, que pediu para não ser identificado, seguiu a instrução da fiscal, embora discordasse dos argumentos para retirar os livros.
A farmácia da 302 Sul, portanto, continua com sua destinação original, a de oferecer produtos que ajudem na cura de diferentes tipos de enfermidades. Palavras e pensamentos impressos — que, muitas vezes, podem trazer conforto espiritual ou emocional — não estão mais disponíveis ali. “As pessoas faziam um intercâmbio cultural enorme. Muita gente chega a uma farmácia precisando de apoio emocional. Os livros diminuíam a frieza do ambiente”, afirmou Vânia.
A escritora não concorda com as explicações da vigilância. “Tem biblioteca em açougue, em um monte de lugar. Que mal os livros podem fazer? Estragar os medicamentos, que são hermeticamente fechados e difíceis até de abrir? Seria ácaro? Seria poeira? Não aceito esses argumentos. Tenho certeza que faltou sensibilidade ao agente público. Estou de luto com essa atitude, realmente decepcionada”, protestou.
Paixão

Desde criança, a escritora alimenta o amor pelo ofício. “Meu avô, Raimundo, era escritor. Na casa dele, o Rio de Janeiro, eu conheci gente como Rachel de Queiroz. Fiquei fascinada por esse mundo e me dedico a ele desde então”, contou a carioca, que vive em Brasília desde 1969. Quando retiraram os livros da farmácia, Vânia diz ter tido a sensação de ver um filho sendo machucado. “Alguns dos exemplares ali levavam meu nome. O projeto era uma ideia minha. Fiquei muito abalada com essa rejeição.”
A biblioteca da farmácia não era a única mantida em um local inusitado e montada por Vânia, com ajuda de seu marido, o escritor de livros técnicos Paulo Diniz, 75 anos. Ela também inaugurou pontos de leitura no salão Marilene Cabeleireiros, na 414 Sul; na oficina mecânica Escapamento Melo, na 702 Norte; e na escola É DAC, na QL 6/8 do Lago Sul. Neste último local, há mais de 450 exemplares.

“Tenho a impressão de que as pessoas falam muito em leitura, mas leem muito pouco. O povo não está lendo. Isso me incomoda muito, porque a leitura é uma das maneiras mais eficazes de tirar alguém da exclusão do conhecimento”, avalia a escritora. Vânia lembra que, quando os livros chegam perto das pessoas, elas podem se interessar pelo universo da leitura. Assim ocorreu com a cabeleireira Tatiana Santos, 25 anos, moradora de Valparaíso. Quando viu os exemplares distribuídos por Vânia no local de trabalho, ela teve a curiosidade despertada e decidiu folhear um livro, como há muito tempo não fazia.

“Eu sempre gostei de ler, mas não tinha muita oportunidade para estar perto do livro. Agora, tenho esse costume. Levo para ler no ônibus. Gosto de poemas”, relatou Tatiana. Assim como ela, outras oito colegas do salão e as clientes também criaram gosto pela literatura. Mesmo diante da decepção, Vânia não desiste de espalhar conhecimento. No que depender dela, os livros estarão por todo lugar.
Perfil

Vânia Diniz

Tem 15 livros publicados. É presidente da Academia de Letras do Brasil, pertence ao Sindicato dos Escritores do DF, à União Brasileira de Escritores e à Rede de Escritoras Brasileiras. Mantém o site www.vaniadiniz.pro.br, no qual divulga as próprias obras e as de novos autores.
O outro lado
Nota da Vigilância Sanitária

“Realmente, a fiscalização da Vigilância Sanitária esteve no local, solicitando a retirada dos livros. Isso ocorreu pelo fato de o funcionamento de uma exposição de livros dentro de uma farmácia ser proibido por lei. De acordo com a norma RDC 44/2009 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a Lei Federal nº 5991 de 1973, drogarias só podem expor e comercializar remédios. Qualquer outra mercadoria vai contra a lei e deve ser retirada”.
Pioneira dos imortais

Rachel de Queiroz nasceu em Fortaleza (CE), em 1910. Escreveu romances, entre eles Memorial de Maria Moura, que virou minissérie exibida pela TV Globo em 1994, protagonizado por Glória Pires; crônicas e peças teatrais. Em 1977, Rachel tornou-se a primeira mulher a ser eleita para a Academia Brasileira de Letras. Morreu em 2003, enquanto dormia na rede, em casa, no Rio de Janeiro.
Fonte:Jornal CORREIO BRAZILIENSE, Caderno CIDADES, p. 66, edição de 24.fev.2011.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Melancólico Encerramento Por Vânia Moreira Diniz


Estou de luto. Estou decepcionada realmente por acontecimentos que interceptam os passos de nossa literatura. Isso aconteceu durante a semana que passou.

Montei bibliotecas em diversos lugares da capital da República para que as pessoas pudessem ter o prazer de uma boa leitura e até de trocar ou levar para casa um livro. Seria mais uma oportunidade de intercâmbio cultural principalmente para aqueles que não têm oportunidade de ter contato com os livros.

Uma das bibliotecas era localizada numa Farmácia cujo dono eu conheço há bastante tempo e que depois de uma larga experiência resolveu abrir sua própria farmácia. Esse farmacêutico amigo ficou entusiasmado com a possibilidade de oferecer aos seus clientes os livros que eu selecionara de minha própria casa. Era um ponto de curiosidade e apoio para todos que frequentavam a farmácia e enquanto esperavam ser atendidos.

Muitos iam lá apenas para trocar ou devolver os livros que haviam levado.
Isso aconteceu há quase três anos e ficamos encantados com a difusão da literatura e artes num ponto em que as pessoas geralmente chegam por vezes deprimidas com os próprios males.

Essa semana recebi um recado de Walmir, o farmacêutico responsável que recebera uma visita da Vigilância Sanitária e que o ameaçara de multar a farmácia pela presença dos livros. Ele argumentou que os mesmos estavam ali apenas para serem lidos e já faziam parte do interesse dos clientes.

O que terá o fiscal identificado de tão mal nos livros ali depositados? Seria ácaro? Seria poeira?Não acredito nesse argumento, pois como sabemos todos os medicamentos são hermeticamente fechados às vezes até com dificuldade de abri-los e invariavelmente contém a bula de papel. Este não seria um indutor para a produção de ácaro, assim como o seu invólucro e a sua caixa de papel?.

Tenho convicção de que faltou ao agente público sensibilidade para a sua decisão.É importante ressaltar que a este fiscal cabe verificar as irregularidades e por elas propor correções.Não creio, no entanto que o livro fizesse parte delas.

Tive que agir no prazo de cindo dias dado pela Vigilância Sanitária e fechei tristemente o Espaço Cultural posicionada num cantinho da farmácia, recolhendo os livros que tão cuidadosamente escolhera para o deleite dos clientes.

A insensatez fechou uma porta extinguindo uma mini biblioteca, mas a nobreza de atitudes do grupo Gazal dirigido pelo conceituado Empresário Antônio Matias recebeu os livros de forma imediata para a colocação em biblioteca por ele mantidas.

Respeitei a ordem da Vigilância Sanitária cujo trabalho sempre admirei lamentando esse episódio e principalmente a atitude radical de suas decisões, retirando friamente uma biblioteca já tão necessária ali naquele ambiente.

Há certos momentos na vida que precisamos usar o discernimento e a humanidade mesmo em regras absolutamente precisas mesmo porque tenho certeza que os livros ajudavam as pessoas e já era um ponto de encontro também com as letras.

Estou de luto, mas realmente feliz porque ainda existem pessoas que compreendem o valor da leitura. Agradeço ao Farmacêutico Walmir seu carinho para o nosso espaço cultural que se extingue ali tão melancolicamente.
Vânia Moreira Diniz

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Entrevista concedida por Vânia Moreira Diniz


Projeto Mídia e Idéias
Vânia Moreira Diniz- Escritora Presidente da ALB/DF, cadeira nº1. Membro do Conselho Superior da ALB. Doutora em Filosofia Univérsica. Ph.I. Filósofa Imortal. Humanista. Gestora Cultural. Tenho 18 livros publicados.

Como você sente a arte de escrever, o que representa para você e quem te influenciou nesta arte?

Vânia- Sinto-a como uma necessidade premente, quase compulsiva e que pratico desde os 7 anos de idade e representa desde dessa idade minha principal realização.Meu avô, Raymundo de Monte Arraes era escritor e foi ele que me influenciou fortemente e é o meu patrono na vida literária.
Para conhecê-lo é só ir no link abaixo e terá mais detalhes.

Em 2010 qual tua atuação literária e quais os projetos para 2011?

Vânia- Em 2010 publiquei o livro de poemas “Letras da Vida”, tomei posse na Academia de Letras do Brasil/ Seccional Brasília como Presidente, e indiquei 19 escritores para a Academia, lancei muitos escritores, atualizei mais de 2000 poetas em meu portal, escrevi em 5 colunas como fazendo parte da equipe fixa, entrei em projetos para divulgação da literatura, atuei em meus grupos : de literatura e de pessoas especiais e fiz um trabalho social-literário nas cidades satélites de Brasília.
Em 2011 pretendo continuar esse intenso trabalho, publicar um livro e agora em fevereiro entrar no projeto salão do Livro latino americano que será realizado na UNB e depois disso seguir trabalhando como fiz todos esses anos.

Poesia, Letra de Música, Contos, Receita de Médico, enfim, qualquer texto, pode ser musicado, como propõe Anand Rao no Projeto Música Poética? Que achas desta loucura?

Vânia-Acho impressionante porque presenciei sua arte ontem no “Café com Letras” e fiquei envolvida pelo seu amor à música. Só assim se explica essa fantástica habilidade de conseguir num momento transformar em música poética qualquer texto. Arte. Arte e amor.

Qual a tua opinião sobre o trabalho do Anand Rao e o que esperas da tua participação no projeto Música Poética?

Vânia- Gostei muitíssimo. Não conhecia pessoalmente seu trabalho, mas ontem como um passe de mágica consegui absorver a sua potencialidade. Como poeta, ficarei emocionada com minha poesia entrelaçada a outra forma de manifestação artística.

Achas que o artista alternativo, independente, não famoso deve ser remunerado? Como estás vendo a remuneração destinada a você no Música Poética?

Vânia- Penso que tem que ser remunerada porque será o início da profissionalização do escritor. Tenho conviccção que a remuneração no Música poética poderá ser o início do reconhecimento da profissão.
Anand Rao costuma dizer que o show só vai encher se o poeta o divulgar pois, ele se apresenta muito e o público se dilui em suas apresentações. Como pretendes divulgar o Projeto e sua apresentação?

Vania – Com apenas dois dias para fazê-lo pretendo divulgar nos meus grupos e entre os escritores e leitores que tenho contato em Brasília. Meu portal é de divulgação e vou fazer uma chamada na página principal e também enviar para os sites que em trabalho.

Quem você indicaria para participar no Música Poética de 2011 como também, 2012?

Vânia –Abrigo em meu Portal escritores das mais diversas características e muito talentosos.Qualquer um deles poderá ser escolhido. Não cito alguns porque não gostaria de ser injusta. Aceitei o projeto e sei que ele fará justiça com escritores que merecem um trabalho tão meritório.

Alguma coisa ficou pendente que gostarias de colocar nesta entrevista?

Vânia – amei a literatura desde a minha infância. Por isso continuarei a escrever intensamente até o meu último suspiro como fez meu avô e patrono. E vou me integrar de corpo e alma nesse projeto também divulgando meus amigos que forem escolhidos para fazer esse trabalho. Só o aceitei porque vi a qualidade e a arte e dedicação de Anand Rao. Realmente talentoso e um artista ao primeiro olhar.

Assessoria de Imprensa
Projeto Música Poética

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Até quando?

Por Vânia Moreira Diniz

Todos os anos nessa época assistimos ao amargurante espetáculo de dor e desespero com as chuvas de verão, que em suas consequências desabrigam e matam tantas pessoas. E nesse ano especialmente isso foi ainda mais devastador e em lágrimas assistimos à tragédia que se apresenta no estado do Rio, São Paulo e interior de Minas sem poder fazer nada senão enviar dinheiro e roupas que nem sabemos se chegará lá.

Nasci e cresci no Rio de Janeiro, nessa terra cheia de luz, alegria e barulho e muitas vezes passei férias em Petrópolis, Itaipava e Teresópolis e em cidades que estão sendo completamente arruinadas e onde seus moradores lutam para salvar suas casas, seus bens e seus parentes.

Muito, muito triste observar impotente os acontecimentos dolorosos que se desenrolam no sudeste de nosso país e sentimos indignação por ainda não ter sido feita nenhuma prevenção e ter que ouvir das autoridades as mesmas explicações como se isso fosse um acontecimento natural enquanto tanta gente entrega seu dom mais precioso: a própria vida.

Ao assistirmos as reportagens sobre as águas que inundam as cidades atingidas pensamos que antes de tudo, já deveriam ter sido tomadas sérias providências para evitar essa tristeza profunda que está acontecendo em nosso país. Doar cestas básicas? Isso pode melhorar agora um pouco a fome dos que se salvaram, mas não retorna a vida dos que se foram.

Vemos as autoridades aconselharem que as pessoas saiam de suas casas e dos lugares perigosos, mas para onde eles irão? Acho que o governo teria que providenciar lugares dignos para essa população sofredora que assiste água abaixo o sacrifício de suas vidas em casas construídas com o trabalho honesto do dia a dia e principalmente o horror de perder seus entes mais queridos.

Como fazer? Acho que chega de explicações que não levam a nada, as mesmas que já foram dadas o ano passado, e o outro anterior e ainda o outro...

Chega de não responsabilizar os órgãos competentes pela falta de providências enérgicas antes que as chuvas pudessem devastar as cidades e a população do Brasil.

Que se gaste menos, que se viaje menos e que as autoridades possam ser mais sóbrias em tudo para que seja permitido não ressarcir, porque isso jamais seria possível num acontecimento tão doloroso e uma vida é muito preciosa para que se possa compensar, porém pelo menos dar condições dignas dessa população curtir seus sofrimentos com mais dignidade.

Vidas ceifadas, pessoas sem habitação, crianças sofrendo estão aí para quem quiser ver e os abrigos não são uma solução. Desejamos que sejam resolvidos esses problemas com casas onde possa haver a privacidade natural que eles tinham em suas próprias casas por mais pobres que fossem.

Até quando continuaremos a ver tantas pessoas desabrigadas e mortas pelas consequências dessas chuvas torrenciais e não serem tomadas nenhuma providência para evitar tudo isso? Quando? Até quando?

Como falar de ecologia quando nem às pessoas humanas se dá o devido valor? Como saber preservar os animais e a nossa exuberante natureza se nem aos nossos semelhantes sabemos defender? Até quando?

Vânia Moreira Diniz

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Simplesmente um sorriso

Vânia Moreira Diniz

Ontem dia 26 de dezembro de 2010, que procede ao Dia de Natal, voltávamos meu marido e eu do Restaurante onde fôramos almoçar e sentimos a calma desse dia depois de tantas efusões e excitamentos que apreciamos nos dias anteriores à data máxima da cristandade.

Respiramos paz e sossego, com o movimento relativamente pequeno de carros e pessoas. É estranho esse dia que vem depois. Sempre o analisei mesmo nos tempos áureos de minha adolescência e juventude. E sempre me parecia esquisito depois do barulho estarrecedor.

Com o passar do tempo fui compreendendo mais ainda o quanto o comércio é o responsável por essa data tão bonita, mas cada vez mais transformada em troca de votos que se esvaem apenas com um dia de sua concretização.

Parece que todos se acalmam depois de extravasar momentos lúdicos em compras de presentes, festas ruidosas, votos de feliz natal e esperam ano novo que novamente transformará as ruas em luz efervescente e ilusória.

Foi nesse rumo de pensamentos que paramos num sinal relativamente perto de nossa casa e pudemos ver de repente um rapaz numa cadeira de rodas com um dos sorrisos mais bonitos que já víramos. Ele pedia auxílio, porém não deixava de se dirigir às pessoas que estavam nos carros em fila, com uma simpatia difícil de encontrar numa pessoa que vive tão tristemente.

O rapaz a que me referi mostrava várias falhas nos dentes da frente superiores e inferiores, mas isso não tirava a sinceridade e beleza daquele sorriso, que nos emocionou em igual proporção. Não era um esgar como às vezes observamos em certas pessoas que riem apenas exteriormente, mas vinha de dentro como uma luz verdadeira.

O jovem parou perto do nosso carro e pudemos conversar durante alguns instantes, o que mais aumentou sua expressão diferente e emocionante. Ao mesmo tempo ele já de longe falou que nossa presença tinha “levantado” seu espírito.Foi tudo tão rápido que a emoção nos surpreendeu verdadeiramente.

Não sabemos explicar o que aconteceu conosco naquele momento, mas sua figura simpática não saiu de nosso pensamento durante toda a tarde e conversamos várias vezes sobre o rapaz.

Gostaríamos de encontrá-lo novamente e pudermos ajudá-lo no sentido lato da palavra e se Deus quiser nos proporcionará essa alegria. Gostaríamos muito. Isso é que é empatia, mas uma empatia proveniente de sua figura humilde e carismática que não precisava nem dos dentes completos para iluminar o rosto sofrido.

Achei interessante relatar esse acontecimento que tanto nos emocionou e espero realmente vê-lo mais uma vez para que possamos ressarcir o bem que nos fez.

Vânia Moreira Diniz

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

De mãos dadas

Vânia Moreira Diniz

Vejo como os dias desse ano foram rápidos, embora difíceis em certo sentido para muitos. E com notícias tristes ou alegres, mas principalmente enfatizadas aquelas, que mostram sofrimentos ou dor. Poderíamos simplesmente pensar em esquecer esses fatos, e procurar usufruir apenas as coisas maravilhosas que nos aconteceram.
Sim, isso seria possível se não víssemos o quadro de sofrimento e amargura que se nos apresenta, principalmente para aqueles que tentam fazer uma visita à periferia das cidades. E observar logo que chegamos, a devastação que nos cerca inexoravelmente.
Esse espetáculo sempre me impressionou e jamais consegui me acostumar, com a barbaridade da miséria, falta de recursos médicos, ausência de perspectiva, que se estampa nas pessoas que sofrem essa carência e a dignidade de uma vida, com mínimos recursos de que carece a população
Nunca, por mais que eu viva poderei entender porque o social, não seria a primeira providência dos governos que já passaram por esse país. Não me digam que não poderão realizar mais. Por favor, não me venham com essa desculpa, quando é possível fazer tudo para mordomias, viagens, cargos altos, aumento no serviço público apenas para poucos privilegiados. Sim porque, na verdade, a grande massa de servidores públicos está numa situação calamitosa.
Desde pequenina ouço falar na melhoria que se deve dar ao pessoal mais necessitado e desde os 12 anos que trabalho com esses meus irmãos necessitados. E só vejo aumentar a fome e a devastação completa. Pelo menos naquela época ainda ficávamos estarrecidos ao observamos uma cena de miséria e de morte em nossos irmãos de caminhada, por desnutrição e falta de alimentos.
É certo, temos direito de usufruir nossas alegrias e vida confortável, as glórias e o sucesso, vitórias e realizações, felicidades, amor, paixão, loucura, dias maravilhosos, o sol a brilhar, as chuvas fertilizadoras, os divertimentos, tudo que nos foi concedido. E como gosto de curtir cada dia da minha vida!
Só não podemos esquecer que uma palavra, uma ajuda a quem nos está próximo já contribuirá para menos sofrimento. Eu sempre digo que se todos ajudarmos a quem está ao nosso lado, formaremos uma corrente material e interior. Estimulante para que existam menos tormentos.
O ano já cumpriu quase todos os seus passos e nossos propósitos deveriam ser de revolta pelo povo que está sendo ofendido com ameaças de ultrajes aos direitos humanos, brutalidade hedionda e guerra urbana, a devastação mais humilhante e degradante que a humanidade pode passar ou sofrer.
Quando pessoas por quaisquer razões são capazes de se matarem impiedosamente, como poderá haver um momento de solidariedade e amor voltado para nossos excluídos? Se não lutamos contra esse tormento como conseguiremos encarar com lealdade ou meiguice, o rosto de uma criança ou pedir que ela nos siga os passos?
Como podemos até mesmo falar de ecologia quando seres humanos estão sendo maltratados e vilipendiados no que de mais sagrado existe, que é a preservação de sua própria vida? Como podemos olhar com indiferença tanto barbarismo? Tanta maldade?
Dormiremos com mais tranquilidade se estendermos as mãos sempre para quem precisa de nós e isso inclui pessoas que estejam no momento, sofrendo qualquer tipo de dor. Temos que pensar que a vida é provisória, que tudo passa, e que para sermos realmente felizes teremos que caminhar de mãos dadas.
De mãos dadas, sempre, de mãos dadas!
É a única forma de nos sentirmos realmente humanos!

Vânia Moreira Diniz

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Inusitado

Vânia Moreira Diniz

Caminhando em busca de novos horizontes
Onde a luz se faz intensa, mas diferenciada,
Ainda no escuro, sombras esparsas e onduladas,
Muito além da inconsciência distante e indefinida.

Som incoerente, espectro inusitado, indefinição,
Medo distante de reminiscências persistentes,
Sons harmoniosos e penetrantes de uma canção,
A longa vigília, pensamentos conscientes.

Prossigo na pouca claridade, tantas esperanças,
O alvorecer anunciando sonhos e expectativas,
Ah a busca incessante involuntária de lembranças,
e a luz interior ofuscando a visão encantada.

Compreendo agora as sensações que surgem,
sentimentos que afloram espinhos que machucam,
acontecimentos prazerosos que se sucedem,
E o lento avançar da vida em vibrações contraditórias.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Agradecimento Pessoal

Vânia Moreira Diniz
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Amigos,
Desejo agradecer a todos que estiveram presentes nessa noite que foi muito especial para mim e para o Dr. Paulo Filomeno que nos cedeu a sala para as reuniões e eventos da Academia de Letras do Brasil/DF. Também aos inúmeros amigos de todo o Brasil e do exterior que se comunicaram com e-mails, telegramas, telefonemas e mensagens.
Foi um ambiente de muita alegria, congraçamento, harmonia e felicidade entre todas as pessoas que ali estavam.

Agradeço de modo especial à Presidente da Academia de Letras do Brasil, seccional Mariana-Minas Gerais, Andreia Donadon Leal, que além de competente e muito talentosa é uma pessoa encantadora que guardarei sempre no coração e a quem chamo carinhosamente de amiga.
Fizemos também o lançamento de seu livro “Flora: Amor e demência & Outros Contos”e a autora Andreia Leal gentilmente sorteou muitos exemplares entre os convidados.

Gostaria de transmitir aos acadêmicos que não estavam lá algo que disse com todo o carinho em uma parte de meus agradecimentos: No entanto, quero dizer que nada teria conseguido sem a colaboração e o carinho de vocês. Por isso ofereço estas medalhas e diplomas aos meus colegas de ideal como símbolos de nosso trabalho e creiam que a guardarei com muito cuidado e amor. Eu serei a depositária e guardiã orgulhosa destes prêmios.
Muito obrigada a todos.

Abraços
Vânia Moreira Diniz
19-11-2010
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terça-feira, 9 de novembro de 2010

A Poesia

Vânia Moreira Diniz
O tempo caminhou. Não mais aquele sonho, mas a presença da alegria e do encanto especialmente inspirador. Tudo parecia um conto de fadas quando a menina começou a crescer. E quanto mais crescia a presença da realidade não caminhava no mesmo ritmo. Ela tinha a sensação que vivia momentos intercalados, muito intensos e inexoravelmente irreais. Não sabia precisar onde estava, porque viera para esse mundo e as razões. Mas amava explorar com olhos brilhantes a perseverante natureza, bela e aconchegante como se ali fosse uma casa ofertada por um Deus indefinido.

Os dias corriam, a passagem era por vezes áspera, porém havia debaixo dos grilhões que machucavam seus pés, uma maciez protetora e amena que a fazia andar mais célere em direção à sua meta.

Tudo era tão subjetivo que não sabia se vivia, cumpria uma finalidade ou deixava-se arrastar dolentemente. Até que encontrou sua própria alma e pode captar o sentido do que antes não soubera compreender: A poesia. Ela ali estava iluminando seus dias, esquivando o mal, e completando o sentido de uma existência, bem como dos vôos quase literais em busca de realização. A poesia sublimava quaisquer momentos difíceis ou ásperos ou irônicos e cicatrizava as feridas que às vezes teimavam em reabrir.

A poesia permitia suas buscas, perdoava suas imperfeições e reestruturava o sentido da vida afastando as dúvidas e erguendo-a nas eventuais quedas dolorosas. Só ela conseguia elevá-la na frágil dignidade humana e nos fracassos inconseqüentes.

Sempre convivera e tivera como companheira a poesia, só que naquele momento tinha a consciência iluminada da fortaleza terna, do vigor que nascera e ia um dia morrer com ela.

Por causa dela estava ali, com os olhos de frente para o sol, em convivência com a luz das estrelas, sabendo definir a cor do céu e pairar entre nuvens brancas e macias. E por causa dela se aninhava no solo verde de capim macio, admirando como irmãs as flores que lhe comunicavam segredos, as folhas que lhe davam esperanças, os lagos e rios que lavavam seus machucados na água corrente e o mar gigante e esplendoroso captando cada momento e transmitindo o eco de sua voz majestosa num murmúrio sedutor.

A poesia expressava também sua harmonia no canto dos pássaros que lhe faziam bem e na musicalidade das notas rítmicas que lhe acalmavam. E representava o seu universo total tanto físico como anímico.

Assim ela cresceu, tornou-se mulher, compartilhou das sensações as mais estranhas e profundas, amadureceu e se envolveu para sempre na poesia que jamais a deixaria cair inerte nem permitiria que ela não atingisse o sonho maior e mais profundo.

Esse sonho que era compartilhado envolto na inspiração que não a deixaria fenecer, mas ao contrário lhe daria as mãos constantemente e se misturaria aos anseios de seu coração.

A Poesia, companheira, irmã, reflexo de sua alma e que não a deixaria morrer jamais.
Vânia Moreira Diniz

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Enquanto teclo

Vânia Moreira Diniz

Enquanto teclo, a janela de meu escritório aberta, posso me envolver com a natureza que me sorri. O verde cintilante de árvores e arbustos fez parte inerente de minha vida desde que cheguei à Brasília, oriunda do Rio de Janeiro cujo mar me batizou nas ondas brancas do posto seis.

Novembro chegou, o sol quente e luminoso e a primavera que continuará a levar aos nossos habitantes, beleza, esperança e amor.

Falar de amor apesar de ser um tema universalmente vivido, discutido, enunciado é complexo e extremamente difícil. E isso porque esse sentimento engloba diversas categorias. Poderemos falar do amor universal então. Que carrega todas as espécies do verdadeiro amor.

Nascemos de um ato de amor, crescemos e nos desenvolvemos vendo falar dele diariamente e para muitos, isso pode ter parecido quase uma rotina.

Sabemos, entretanto que jamais e em tempo algum esse amor sentido, capaz de doações e carinho poderá ser confundido com um hábito. Ao contrário, ele é inovador, vibrante e intenso. Quando abrigado ao calor do verdadeiro sentimento ou aquecido pela fagulha de um afeto profundo é capaz de dedicação e gestos até incompreensíveis. Nada é mais rico do que o autêntico amor.

Muitas vezes, porém, é confundido, vilipendiado e mal interpretado. Em ocasiões inúmeras, usadas como mero artefato para sobrepujar o amor próprio (fruto do egoísmo) que se impõe altivo exigindo em sua mesquinha compleição que todos ao redor o proclamem verdadeiro senhor.

Todas os formatos desse sentimento maravilhoso são tocadas de estranho e poderoso magnetismo positivo. Ele estimula, eleva e dá forças àquele que está enfraquecido por qualquer razão. Faz com que as pessoas tenham uma motivação e lenitivo para se sentirem felizes e autenticamente realizadas. Isso porque quem ama e é amado adquire uma maior força perante a vida.

Há todavia diversas formas de amor e a maioria delas pela suas próprias características exigem reciprocidade. Uma reciprocidade sadia. Sem isso não há amor, apenas uma fixação.

A única exceção é o amor de pais para filhos e principalmente da mãe. Esse é um tipo de sentimento tão excepcionalmente profundo e oriundo da verdadeira doação que independe de como os filhos possam reagir.

O que quero enfatizar agora referindo-me ao amor romântico e tão cantado é o vértice de fascinação que o encobre seja qual for o ângulo em que nos posicionemos. Analisá-lo seria difícil demais levando em conta que acabaríamos por pesquisá-lo nos mínimos detalhes. E não é isso que me proponho agora.

O que desejo realçar é a fantasia também muita importante dentro do próprio sentimento que faz com que duas pessoas se sintam atraídas e totalmente deslumbradas por alguém e não lhe atribua os defeitos inerentes e naturais.

Sem isso os sonhos tão importantes no desenrolar de uma relação romântica não existiriam e ruiriam levando com eles esperanças e ideais necessários à própria vida.

Em meio às solicitações profissionais, aos deveres inadiáveis, ao sucesso em qualquer campo da vida e a todas às solicitações importantes e mensuráveis esse lado lúdico se impõe de uma maneira absolutamente primordial. Sem ele não teríamos a nutrição do espírito e não seríamos devidamente alimentados para conduzir o lado objetivo da existência.

Mas agora quero falar de um aspecto misto de doçura e fortaleza que faz de nossa caminhada um objetivo e uma necessidade. O amor humano por quem está ao nosso lado ou mesmo distante por imposições geográficas e físicas. A quem precisamos amar ofertando um pouco de nós mesmos. Isso não fará bem somente a quem recebe, mas certamente e muito a quem oferta. É necessário, quase como um ato de egoísmo. Egoísmo positivo e indispensável.

Um olhar de amizade, um sorriso de compreensão, um gesto ameno, uma expressão suave poderá ajudar a quem está atravessando momentos difíceis.

Isso sem falar do amor do amigo que anseia para que o outro seja feliz, estimulando-o na hora certa e consciente de seu carinho necessário. O que une as pessoas independentes de sangue ou pátria é o amor e na amizade temos esse divino recurso: Podemos escolher.

Para cada tipo de amor existem demasiadas formas de sentir e nos transportarmos. Se fôssemos pensar nisso talvez não houvesse tempo para a maior adversidade que a vida pode impor a alguém que é qualquer tipo de mágoa nociva. Ela aniquila, devasta e torna as pessoas inseguras e enfraquecidas.

E o amor se imporá sempre vitorioso porque muito mais denso fantástico e dominador. O outro lado sempre existirá em nosso planeta para que possamos sentir o poder do verdadeiro amor: Magnânimo, irresistível, fascinante e desesperadamente poderoso.
Vânia Moreira Diniz

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

E o Depois? Por Vânia Moreira Diniz

Foto de Cristina Arraes
Pensar é algo impressionante. De visão em visão animada pelo movimento como um filme, nos detemos nas coisas mais ínfimas e sabemos que se não quisermos ninguém penetrará esse mundo íntimo e maravilhoso.

Dessas imagens surgiu-me uma pergunta: Como será tudo depois da morte? Como nos movimentaremos nesse ritmo que faz de nossos dias algo inesperado?

Imagino um espaço enorme e vazio, impressionantemente cheio de paz, encoberto pela beleza etérea e incompreendida e, no entanto incrivelmente presente. Muitas vezes imaginei-me em sonhos, mesmo acordada, estar nas nuvens e conseguir permanecer naquele denso e flutuante cinza que vemos daqui de nosso planeta, sentindo inefável bem-estar tão profundo, que parecia mesmo flutuar.

Toda a vida então apareceria à nossa frente com uma precisão impressionante e o discernimento nos faria ver nossos atos e sentimentos em seus mínimos detalhes. Algo insondável e misterioso! Mas tudo isso são apenas deduções e a imaginação que se desdobra com toda a força de sua potencialidade.

A verdade é que não sabemos o depois. E isso é que gera a insegurança e por que não dizer o medo do desconhecido. Mas estive pensando longamente sobre esse mistério e cheguei à conclusão que tudo em nossa vida foi desconhecido e soubemos enfrentar com galhardia e certa despreocupação.

Aproveito então para fazer uma fantasia e imaginar um jardim lindo com flores diferentes em estilos, cores e aromas, deixando que o sol, nosso conhecido e amigo brilhe e aqueça nossos corpos, um silêncio enriquecedor a contornar tudo isso e a presença de pessoas que se foram e nós amamos.

Imaginei minha mãe chegando suavemente sendo recebida pelo meu pai, o espírito animado como sempre, aqueles olhos azuis, enormes e profundos que o caracterizaram e o sentimento profundo que os unira. Acerquei-me então deles e já não existiam lembranças que pudessem nos separar, ficamos ali juntos e felizes durante longo tempo enquanto eu absorvia a natureza etérea e pura que me fazia respirar docemente.

Não existia espaço nem limite, mas algo que eu nunca poderia imaginar. Como se tudo fosse ligado e transcendental. Como se nada pudesse mais me atingir em termos de sofrimento e matéria, mas perdurava uma insegurança quanto ao lugar que eu ficaria. Ou se seria apenas uma passagem para que fosse conhecendo as diferenças mesmo ilimitadas. Naturalmente, porém naquele momento não pensava nisso ou tinha qualquer dúvida. Só depois que saíra daquele lugar é que consegui localizá-lo. Prosseguia em minha exploração silenciosa.

Era tudo tão magnífico e diferente, as sensações que emanavam tão positivas que eu me perguntava se estaria certa. Não queria pensar naquele instante. Desejava só sentir, mesmo que ilusório, como seria “o depois”.

Vânia Moreira Diniz

http://www.vaniadiniz.pro.br/

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Meu grito Por Vânia Moreira Diniz


Meu grito é de amor,
Meu grito é de dor,
Meu grito é de compreensão
E ecoa dentro do coração.

Meu grito transborda minha alma,
Ultrapassa os momentos de certeza,
Meu grito vibra, tremula e alucina,
Para depois erguer-se na confiança.

Meu grito pede, exige e implora.
Meu grito ultrapassou os anos,
Questionou os momentos de insegurança,
Viveu em meio às dores e vacilações,
Meu grito refletiu ansiedades da incerteza
E espargiu frenesi e alucinações.

Meu grito sofreu nas aflições alheias,
Dilacerando minhas entranhas e
Procurando uma trégua em seus sons
Pedindo-me singularmente calma,
Meu grito é de profundidade e agonia.

Meu grito é de amor,
Meu grito é de desejo,
Meu grito quer apenas compor,
Meu canto de liberdade e esplendor.

Meu grito é de solidariedade e calor.
Meu grito se mistura a sons intensos,
Que pedem suavidade e inclusão,
Simbolizam tristemente opressão
E se esvaem pelos confins do mundo

Vânia Moreira Diniz